O fanzine na sala de aula de GeografiaEnsinar na escola contemporânea exige novas práticas que sejam capazes de estabelecer interlocuções com o fazer cotidiano de nossos estudantes A proposta deste trabalho implica mostrar como as questões de práticas pedagógicas e aprendizagens podem estabelecer relações mais próximas se estiverem pautadas no cotidiano dos estudantes. Assim, o que está sendo evidenciado é o uso do fanzine como papel articulador dessa relação. A importância desse recurso reside em promover situações de aprendizagens com reflexões não lineares através do uso de diversas linguagens e materiais para sua construção. Seu uso em sala de aula vem contribuindo não somente na forma simples e prática na melhoria da leitura e interpretação das temáticas abordadas, mas também como elemento potencializador da criatividade dos estudantes. O estudo foi ancorado na Geografia Cultural por entender que o significado não existe no mundo, são construções culturais que damos a ele. Como afirma Hall (1997) não é encontrado como algo vagando, o qual basta pegarmos para colocar sobre as coisas, sobre os objetos em si. Isso não quer dizer que ele não tenha existência material, mas é dizer que as coisas têm o seu significado não resultante de sua essência natural, mas de seu caráter discursivo. Compartilhando desse pensamento, buscamos entender o imaginário dos estudantes sobre alguns os conceitos estruturantes do espaço geográfico: paisagem, lugar, território, globalização a partir do Centro de Porto Alegre. A turma era de 21 alunos, com idade entre 9 a 12 anos, de classe social baixa, da 4 ª série do Ensino Fundamental, de uma escola estadual, de pequeno porte com poucos recursos pedagógicos. Os estudantes foram agrupados para facilitar a realização da atividade. Inicialmente foram realizadas leituras de livros didáticos, mapas, revistas, fotografias antigas, encartes turísticos e poesias antes de realizar uma trilha urbana sobre o local estudado. A escolha do Centro para ser tematizado é por percebemos como um local de toda e qualquer cidade distinto de outros locais pela sua vitalidade, onde ainda a maioria dos acontecimentos políticos, culturais e econômicos converge e sinais de sua história podem ser observados nos seus diferentes usos e funções. A partir do momento que estamos no Centro, todos os lugares nos parecem próximos, afinal os ônibus daqui partem e chegam a outros a todo instante de diversos bairros e de outras cidades. Nesta cartografia misturam-se os que caminham em busca de um emprego, aqueles que sem esperança dependem de outros. É o Centro que congrega essas múltiplas facetas, acentuando a diversidade existente na cidade, em que ao mesmo tempo é um lugar no quais as mudanças são velozes e constantes ao mesmo tempo há a preservação de pontos e referências histórico-culturais, permitindo dessa forma que se faça a construção e reconstrução da memória da cidade. Consideramos também o fato de que nossa Escola localiza-se no Centro, assim como a maioria dos estudantes reside neste bairro. Ao examinar os fanzines elaborados pelos estudantes constatou-se que as escolhas das imagens e frases foram buscadas em valores pautados nos seus cotidianos, evidenciando preocupações com questões sociais e ambientais. As contribuições trazidas pelo fanzine nas práticas pedagógicas da Geografia é a possibilidade de articular os seus conceitos da área com o imaginário dos estudantes, os significados que eles atribuem para o real. As imagens materializadas nos fanzines pelos estudantes seus entendimentos geográficos, tornando pertinente tal prática estabelecer “um diálogo com o mundo real, extra-escola” (KAERCHER, 2006, p. 73). Além de possibilitar aos professores desafios para desenvolver outros modos, outros jeitos de fazer a Geografia a partir da cooperação entre alunos/professor, alunos/alunos, assim como partilhar tomadas de decisões.
miércoles, 29 de abril de 2009
2178 - Fanzine na sala de aula de geografia
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O fanzine na sala de aula de GeografiaEnsinar na escola contemporânea exige novas práticas que sejam capazes de estabelecer interlocuções com o fazer cotidiano de nossos estudantes A proposta deste trabalho implica mostrar como as questões de práticas pedagógicas e aprendizagens podem estabelecer relações mais próximas se estiverem pautadas no cotidiano dos estudantes. Assim, o que está sendo evidenciado é o uso do fanzine como papel articulador dessa relação. A importância desse recurso reside em promover situações de aprendizagens com reflexões não lineares através do uso de diversas linguagens e materiais para sua construção. Seu uso em sala de aula vem contribuindo não somente na forma simples e prática na melhoria da leitura e interpretação das temáticas abordadas, mas também como elemento potencializador da criatividade dos estudantes. O estudo foi ancorado na Geografia Cultural por entender que o significado não existe no mundo, são construções culturais que damos a ele. Como afirma Hall (1997) não é encontrado como algo vagando, o qual basta pegarmos para colocar sobre as coisas, sobre os objetos em si. Isso não quer dizer que ele não tenha existência material, mas é dizer que as coisas têm o seu significado não resultante de sua essência natural, mas de seu caráter discursivo. Compartilhando desse pensamento, buscamos entender o imaginário dos estudantes sobre alguns os conceitos estruturantes do espaço geográfico: paisagem, lugar, território, globalização a partir do Centro de Porto Alegre. A turma era de 21 alunos, com idade entre 9 a 12 anos, de classe social baixa, da 4 ª série do Ensino Fundamental, de uma escola estadual, de pequeno porte com poucos recursos pedagógicos. Os estudantes foram agrupados para facilitar a realização da atividade. Inicialmente foram realizadas leituras de livros didáticos, mapas, revistas, fotografias antigas, encartes turísticos e poesias antes de realizar uma trilha urbana sobre o local estudado. A escolha do Centro para ser tematizado é por percebemos como um local de toda e qualquer cidade distinto de outros locais pela sua vitalidade, onde ainda a maioria dos acontecimentos políticos, culturais e econômicos converge e sinais de sua história podem ser observados nos seus diferentes usos e funções. A partir do momento que estamos no Centro, todos os lugares nos parecem próximos, afinal os ônibus daqui partem e chegam a outros a todo instante de diversos bairros e de outras cidades. Nesta cartografia misturam-se os que caminham em busca de um emprego, aqueles que sem esperança dependem de outros. É o Centro que congrega essas múltiplas facetas, acentuando a diversidade existente na cidade, em que ao mesmo tempo é um lugar no quais as mudanças são velozes e constantes ao mesmo tempo há a preservação de pontos e referências histórico-culturais, permitindo dessa forma que se faça a construção e reconstrução da memória da cidade. Consideramos também o fato de que nossa Escola localiza-se no Centro, assim como a maioria dos estudantes reside neste bairro. Ao examinar os fanzines elaborados pelos estudantes constatou-se que as escolhas das imagens e frases foram buscadas em valores pautados nos seus cotidianos, evidenciando preocupações com questões sociais e ambientais. As contribuições trazidas pelo fanzine nas práticas pedagógicas da Geografia é a possibilidade de articular os seus conceitos da área com o imaginário dos estudantes, os significados que eles atribuem para o real. As imagens materializadas nos fanzines pelos estudantes seus entendimentos geográficos, tornando pertinente tal prática estabelecer “um diálogo com o mundo real, extra-escola” (KAERCHER, 2006, p. 73). Além de possibilitar aos professores desafios para desenvolver outros modos, outros jeitos de fazer a Geografia a partir da cooperação entre alunos/professor, alunos/alunos, assim como partilhar tomadas de decisões.
O fanzine na sala de aula de GeografiaEnsinar na escola contemporânea exige novas práticas que sejam capazes de estabelecer interlocuções com o fazer cotidiano de nossos estudantes A proposta deste trabalho implica mostrar como as questões de práticas pedagógicas e aprendizagens podem estabelecer relações mais próximas se estiverem pautadas no cotidiano dos estudantes. Assim, o que está sendo evidenciado é o uso do fanzine como papel articulador dessa relação. A importância desse recurso reside em promover situações de aprendizagens com reflexões não lineares através do uso de diversas linguagens e materiais para sua construção. Seu uso em sala de aula vem contribuindo não somente na forma simples e prática na melhoria da leitura e interpretação das temáticas abordadas, mas também como elemento potencializador da criatividade dos estudantes. O estudo foi ancorado na Geografia Cultural por entender que o significado não existe no mundo, são construções culturais que damos a ele. Como afirma Hall (1997) não é encontrado como algo vagando, o qual basta pegarmos para colocar sobre as coisas, sobre os objetos em si. Isso não quer dizer que ele não tenha existência material, mas é dizer que as coisas têm o seu significado não resultante de sua essência natural, mas de seu caráter discursivo. Compartilhando desse pensamento, buscamos entender o imaginário dos estudantes sobre alguns os conceitos estruturantes do espaço geográfico: paisagem, lugar, território, globalização a partir do Centro de Porto Alegre. A turma era de 21 alunos, com idade entre 9 a 12 anos, de classe social baixa, da 4 ª série do Ensino Fundamental, de uma escola estadual, de pequeno porte com poucos recursos pedagógicos. Os estudantes foram agrupados para facilitar a realização da atividade. Inicialmente foram realizadas leituras de livros didáticos, mapas, revistas, fotografias antigas, encartes turísticos e poesias antes de realizar uma trilha urbana sobre o local estudado. A escolha do Centro para ser tematizado é por percebemos como um local de toda e qualquer cidade distinto de outros locais pela sua vitalidade, onde ainda a maioria dos acontecimentos políticos, culturais e econômicos converge e sinais de sua história podem ser observados nos seus diferentes usos e funções. A partir do momento que estamos no Centro, todos os lugares nos parecem próximos, afinal os ônibus daqui partem e chegam a outros a todo instante de diversos bairros e de outras cidades. Nesta cartografia misturam-se os que caminham em busca de um emprego, aqueles que sem esperança dependem de outros. É o Centro que congrega essas múltiplas facetas, acentuando a diversidade existente na cidade, em que ao mesmo tempo é um lugar no quais as mudanças são velozes e constantes ao mesmo tempo há a preservação de pontos e referências histórico-culturais, permitindo dessa forma que se faça a construção e reconstrução da memória da cidade. Consideramos também o fato de que nossa Escola localiza-se no Centro, assim como a maioria dos estudantes reside neste bairro. Ao examinar os fanzines elaborados pelos estudantes constatou-se que as escolhas das imagens e frases foram buscadas em valores pautados nos seus cotidianos, evidenciando preocupações com questões sociais e ambientais. As contribuições trazidas pelo fanzine nas práticas pedagógicas da Geografia é a possibilidade de articular os seus conceitos da área com o imaginário dos estudantes, os significados que eles atribuem para o real. As imagens materializadas nos fanzines pelos estudantes seus entendimentos geográficos, tornando pertinente tal prática estabelecer “um diálogo com o mundo real, extra-escola” (KAERCHER, 2006, p. 73). Além de possibilitar aos professores desafios para desenvolver outros modos, outros jeitos de fazer a Geografia a partir da cooperação entre alunos/professor, alunos/alunos, assim como partilhar tomadas de decisões.
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