Existe um preconceito arraigado entre geógrafos e cientistas sociais a respeito do que veio a ser denominado “determinismo geográfico/ambiental. Assim, esses termos têm servido de rótulo para obras e autores de inestimável valor e reconhecida cientificidade e complexidade. Criou-se um tabu em torno da investigação da influência exercida pelo ambiente físico/natural sobre a cultura, a humanidade e o desenvolvimento das nações, como se ao atentar para essas inexoráveis influências, o geógrafo estivesse automaticamente negando o papel exercido pelos demais fatores que não os ambientais. Somado ao preconceito e o tabu que o envolve, há bastante imprecisão, subjetivismo e falta de critério na definição e uso do termo determinismo Geográfico. Ainda não foi encontrada uma definição clara e bastante unânime para o termo, constatação que reforça nossa hipótese de que determinismo ambiental/geográfico é um termo sem sentido, vazio, usado desmedidamente, e que pouco se sabe realmente sobre os chamados “geógrafos deterministas”, e que na verdade, há autores que abusaram do alcance dos fatores ambientais sobre a humanidade (enveredando para uma espécie de misticismo ambiental), e que isso não invalida as contribuições da época que são aceitas até hoje ou que são ainda alvo de dúvidas e debates no seio da comunidade científica. Essa visão estereotipada e distorcida do que veio a ser denominado determinismo geográfico, na verdade faz parte de um preconceito mais amplo, fruto de uma má concepção e subavaliação do que se convencionou chamar de Geografia Tradicional. O termo tradicional evoca certos preconceitos em relação a esse período riquíssimo e fundamental da Geografia, fundamental no próprio sentido de ter estabelecido ou aprimorado as bases filosóficas, conceituais e teórico-metodológicas da Geografia, além de ter sido um período no qual todas as grandes questões foram levantadas e discutidas, do que se infere que quase nada do que se discute atualmente é de fato inovador. Diante dessas constatações, o objetivo geral de nossa tese de doutorado é fazer uma releitura dos discursos sobre as influências diretas e indiretas das condições naturais (fatores geográficos ou ambientais) sobre a humanidade, com ênfase no clima, tendo por fio condutor o (falso) paradigma do determinismo geográfico/ambiental, as críticas a ele direcionadas e as ideologias nele imbricadas. Pretendemos demonstrar a importância e a necessidade históricas do determinismo ambiental e a impossibilidade de se negar a questão das influências ambientais como hipótese básica da Geografia. Quando necessário, tanto quanto possível, os discursos deterministas serão analisados em termos de seu contexto de elaboração, disseminação e assimilação, ao passo que as ideologias neles subjacentes serão iluminadas. Essa reinterpretação da gênese e desenvolvimento de um paradigma tão controverso exigirá, por conseguinte, um resgate histórico e uma revisão teórico-crítica na literatura geográfica e em outras ciências, dos discursos acerca do papel exercido pelo ambiente físico nos aspectos humanos, ou, em outras palavras, dos fatores ambientais sobre a humanidade. Por meio de análise de discurso, o que implica numa postura crítico-filosófica da linguagem usada pelos autores estudados, pretende-se tanto realizar uma crítica da crítica ao determinismo ambiental, separando as críticas infundadas e pouco pertinentes, daquelas que enfocaram as reais fraquezas dos discursos deterministas sem ignorar seus méritos, quanto identificar ou não a existência de ideologias subjacentes e que dão suporte a esses discursos discutindo-os à luz do contexto político e histórico-filosófico vigente quando da sua elaboração. Assim, nossa tese está centrada em torno das idéias “deterministas” e anti-deterministas, concebendo-as como discurso no sentido pós-estruturalista do termo e enquanto tal será analisado como uma série específica de representações, práticas e performances por meio das quais o significado é produzido, conectado em redes e legitimado. Esperamos, após ampla análise e interpretação do tema, proporcionar um novo olhar sobre o nascimento da geografia científica e sobre o rotulado “determinismo geográfico”, olhar este menos pautado em embates de alter-egos acadêmicos, falsas dicotomias e “desfiles de escolas de pensamento”, e mais alicerçado sobre as nuances envolvidas nos reais dilemas e problemas suscitados pela questão das influências ambientais. Cabe esclarecer que nossa pesquisa centra-se em três autores injustamente rotulados de deterministas: Ratzel, Semple e Huntington. Ratzel será estudado com menor detalhamento, devido ao nosso foco recair sobre a geografia anglófona, e pela impossibilidade de leitura dos originais em alemão. Huntington será mais enfocado em detrimento de Semple, cuja obra foi menos relevante para a geografia estadunidense e de menor alcance teórico-epistemológico. Houve também uma seleção de autores “possibilistas”, cujas críticas são importantes para nossa pesquisa, e que foram também taxados de deterministas pelo antropólogo Franz Boas. Em nosso resgate dos discursos deterministas, partimos da tradição clássica grega, até chegarmos aos discursos produzidos no ocaso da Geografia Tradicional e na transição para a Geografia Crítica, de modo a compreender a evolução desses discursos. Até o presente estágio da pesquisa, foi possível verificar que as ideologias que impulsionaram os autores “deterministas”, segundo alguns intérpretes de suas obras, foram o duo imperialismo/colonialismo e o duo racismo/ etnocentrismo(eurocentrismo). Por sua vez, as teorias científicas que influenciaram os autores rotulados de deterministas foram o mecanicismo, Darwinismo (evolucionismo), Lamarckismo e neo-lamarckismo, ao passo que os sistemas filosóficos que lhes serviram de suporte foram o iluminismo e o positivismo de Comte. Há controvérsias sobre quais desses elementos mais impingiu suas marcas nos autores deterministas, mas já há fortes evidências de que o neolamarckismo foi mais influente do que o darwinismo e que foi uma espécie de “mãe científica” da geografia anglófona da virada do século XIX e XX. É preciso esclarecer que nossa pesquisa não pretende reavivar a tese de que os fatores ambientais-climáticos formam a principal influência sobre o desenvolvimento da humanidade. Alternativamente, pretendemos mostrar, trazendo as discussões feitas pelos principais expoentes da geografia, que as influências ambientais-climáticas sobre o ser humano em particular, sobre o conjunto da sociedade, e inclusive sobre a origem, distribuição e desenvolvimento das civilizações são relevantes, merecem mais atenção, e sempre fizeram parte do temário geográfico. Além disso, as influências do ambiente e do clima sobre as atividades humanas têm se constituído em preocupação constante desde as primeiras tentativas humanas em sua jornada pela busca do conhecimento.
miércoles, 29 de abril de 2009
2086 - A influência dos fatores ambientais sobre a humanidade e a relevância do fator climático: uma revisão historicista-contextual dos supostos ...
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Existe um preconceito arraigado entre geógrafos e cientistas sociais a respeito do que veio a ser denominado “determinismo geográfico/ambiental. Assim, esses termos têm servido de rótulo para obras e autores de inestimável valor e reconhecida cientificidade e complexidade. Criou-se um tabu em torno da investigação da influência exercida pelo ambiente físico/natural sobre a cultura, a humanidade e o desenvolvimento das nações, como se ao atentar para essas inexoráveis influências, o geógrafo estivesse automaticamente negando o papel exercido pelos demais fatores que não os ambientais. Somado ao preconceito e o tabu que o envolve, há bastante imprecisão, subjetivismo e falta de critério na definição e uso do termo determinismo Geográfico. Ainda não foi encontrada uma definição clara e bastante unânime para o termo, constatação que reforça nossa hipótese de que determinismo ambiental/geográfico é um termo sem sentido, vazio, usado desmedidamente, e que pouco se sabe realmente sobre os chamados “geógrafos deterministas”, e que na verdade, há autores que abusaram do alcance dos fatores ambientais sobre a humanidade (enveredando para uma espécie de misticismo ambiental), e que isso não invalida as contribuições da época que são aceitas até hoje ou que são ainda alvo de dúvidas e debates no seio da comunidade científica. Essa visão estereotipada e distorcida do que veio a ser denominado determinismo geográfico, na verdade faz parte de um preconceito mais amplo, fruto de uma má concepção e subavaliação do que se convencionou chamar de Geografia Tradicional. O termo tradicional evoca certos preconceitos em relação a esse período riquíssimo e fundamental da Geografia, fundamental no próprio sentido de ter estabelecido ou aprimorado as bases filosóficas, conceituais e teórico-metodológicas da Geografia, além de ter sido um período no qual todas as grandes questões foram levantadas e discutidas, do que se infere que quase nada do que se discute atualmente é de fato inovador. Diante dessas constatações, o objetivo geral de nossa tese de doutorado é fazer uma releitura dos discursos sobre as influências diretas e indiretas das condições naturais (fatores geográficos ou ambientais) sobre a humanidade, com ênfase no clima, tendo por fio condutor o (falso) paradigma do determinismo geográfico/ambiental, as críticas a ele direcionadas e as ideologias nele imbricadas. Pretendemos demonstrar a importância e a necessidade históricas do determinismo ambiental e a impossibilidade de se negar a questão das influências ambientais como hipótese básica da Geografia. Quando necessário, tanto quanto possível, os discursos deterministas serão analisados em termos de seu contexto de elaboração, disseminação e assimilação, ao passo que as ideologias neles subjacentes serão iluminadas. Essa reinterpretação da gênese e desenvolvimento de um paradigma tão controverso exigirá, por conseguinte, um resgate histórico e uma revisão teórico-crítica na literatura geográfica e em outras ciências, dos discursos acerca do papel exercido pelo ambiente físico nos aspectos humanos, ou, em outras palavras, dos fatores ambientais sobre a humanidade. Por meio de análise de discurso, o que implica numa postura crítico-filosófica da linguagem usada pelos autores estudados, pretende-se tanto realizar uma crítica da crítica ao determinismo ambiental, separando as críticas infundadas e pouco pertinentes, daquelas que enfocaram as reais fraquezas dos discursos deterministas sem ignorar seus méritos, quanto identificar ou não a existência de ideologias subjacentes e que dão suporte a esses discursos discutindo-os à luz do contexto político e histórico-filosófico vigente quando da sua elaboração. Assim, nossa tese está centrada em torno das idéias “deterministas” e anti-deterministas, concebendo-as como discurso no sentido pós-estruturalista do termo e enquanto tal será analisado como uma série específica de representações, práticas e performances por meio das quais o significado é produzido, conectado em redes e legitimado. Esperamos, após ampla análise e interpretação do tema, proporcionar um novo olhar sobre o nascimento da geografia científica e sobre o rotulado “determinismo geográfico”, olhar este menos pautado em embates de alter-egos acadêmicos, falsas dicotomias e “desfiles de escolas de pensamento”, e mais alicerçado sobre as nuances envolvidas nos reais dilemas e problemas suscitados pela questão das influências ambientais. Cabe esclarecer que nossa pesquisa centra-se em três autores injustamente rotulados de deterministas: Ratzel, Semple e Huntington. Ratzel será estudado com menor detalhamento, devido ao nosso foco recair sobre a geografia anglófona, e pela impossibilidade de leitura dos originais em alemão. Huntington será mais enfocado em detrimento de Semple, cuja obra foi menos relevante para a geografia estadunidense e de menor alcance teórico-epistemológico. Houve também uma seleção de autores “possibilistas”, cujas críticas são importantes para nossa pesquisa, e que foram também taxados de deterministas pelo antropólogo Franz Boas. Em nosso resgate dos discursos deterministas, partimos da tradição clássica grega, até chegarmos aos discursos produzidos no ocaso da Geografia Tradicional e na transição para a Geografia Crítica, de modo a compreender a evolução desses discursos. Até o presente estágio da pesquisa, foi possível verificar que as ideologias que impulsionaram os autores “deterministas”, segundo alguns intérpretes de suas obras, foram o duo imperialismo/colonialismo e o duo racismo/ etnocentrismo(eurocentrismo). Por sua vez, as teorias científicas que influenciaram os autores rotulados de deterministas foram o mecanicismo, Darwinismo (evolucionismo), Lamarckismo e neo-lamarckismo, ao passo que os sistemas filosóficos que lhes serviram de suporte foram o iluminismo e o positivismo de Comte. Há controvérsias sobre quais desses elementos mais impingiu suas marcas nos autores deterministas, mas já há fortes evidências de que o neolamarckismo foi mais influente do que o darwinismo e que foi uma espécie de “mãe científica” da geografia anglófona da virada do século XIX e XX. É preciso esclarecer que nossa pesquisa não pretende reavivar a tese de que os fatores ambientais-climáticos formam a principal influência sobre o desenvolvimento da humanidade. Alternativamente, pretendemos mostrar, trazendo as discussões feitas pelos principais expoentes da geografia, que as influências ambientais-climáticas sobre o ser humano em particular, sobre o conjunto da sociedade, e inclusive sobre a origem, distribuição e desenvolvimento das civilizações são relevantes, merecem mais atenção, e sempre fizeram parte do temário geográfico. Além disso, as influências do ambiente e do clima sobre as atividades humanas têm se constituído em preocupação constante desde as primeiras tentativas humanas em sua jornada pela busca do conhecimento.
Existe um preconceito arraigado entre geógrafos e cientistas sociais a respeito do que veio a ser denominado “determinismo geográfico/ambiental. Assim, esses termos têm servido de rótulo para obras e autores de inestimável valor e reconhecida cientificidade e complexidade. Criou-se um tabu em torno da investigação da influência exercida pelo ambiente físico/natural sobre a cultura, a humanidade e o desenvolvimento das nações, como se ao atentar para essas inexoráveis influências, o geógrafo estivesse automaticamente negando o papel exercido pelos demais fatores que não os ambientais. Somado ao preconceito e o tabu que o envolve, há bastante imprecisão, subjetivismo e falta de critério na definição e uso do termo determinismo Geográfico. Ainda não foi encontrada uma definição clara e bastante unânime para o termo, constatação que reforça nossa hipótese de que determinismo ambiental/geográfico é um termo sem sentido, vazio, usado desmedidamente, e que pouco se sabe realmente sobre os chamados “geógrafos deterministas”, e que na verdade, há autores que abusaram do alcance dos fatores ambientais sobre a humanidade (enveredando para uma espécie de misticismo ambiental), e que isso não invalida as contribuições da época que são aceitas até hoje ou que são ainda alvo de dúvidas e debates no seio da comunidade científica. Essa visão estereotipada e distorcida do que veio a ser denominado determinismo geográfico, na verdade faz parte de um preconceito mais amplo, fruto de uma má concepção e subavaliação do que se convencionou chamar de Geografia Tradicional. O termo tradicional evoca certos preconceitos em relação a esse período riquíssimo e fundamental da Geografia, fundamental no próprio sentido de ter estabelecido ou aprimorado as bases filosóficas, conceituais e teórico-metodológicas da Geografia, além de ter sido um período no qual todas as grandes questões foram levantadas e discutidas, do que se infere que quase nada do que se discute atualmente é de fato inovador. Diante dessas constatações, o objetivo geral de nossa tese de doutorado é fazer uma releitura dos discursos sobre as influências diretas e indiretas das condições naturais (fatores geográficos ou ambientais) sobre a humanidade, com ênfase no clima, tendo por fio condutor o (falso) paradigma do determinismo geográfico/ambiental, as críticas a ele direcionadas e as ideologias nele imbricadas. Pretendemos demonstrar a importância e a necessidade históricas do determinismo ambiental e a impossibilidade de se negar a questão das influências ambientais como hipótese básica da Geografia. Quando necessário, tanto quanto possível, os discursos deterministas serão analisados em termos de seu contexto de elaboração, disseminação e assimilação, ao passo que as ideologias neles subjacentes serão iluminadas. Essa reinterpretação da gênese e desenvolvimento de um paradigma tão controverso exigirá, por conseguinte, um resgate histórico e uma revisão teórico-crítica na literatura geográfica e em outras ciências, dos discursos acerca do papel exercido pelo ambiente físico nos aspectos humanos, ou, em outras palavras, dos fatores ambientais sobre a humanidade. Por meio de análise de discurso, o que implica numa postura crítico-filosófica da linguagem usada pelos autores estudados, pretende-se tanto realizar uma crítica da crítica ao determinismo ambiental, separando as críticas infundadas e pouco pertinentes, daquelas que enfocaram as reais fraquezas dos discursos deterministas sem ignorar seus méritos, quanto identificar ou não a existência de ideologias subjacentes e que dão suporte a esses discursos discutindo-os à luz do contexto político e histórico-filosófico vigente quando da sua elaboração. Assim, nossa tese está centrada em torno das idéias “deterministas” e anti-deterministas, concebendo-as como discurso no sentido pós-estruturalista do termo e enquanto tal será analisado como uma série específica de representações, práticas e performances por meio das quais o significado é produzido, conectado em redes e legitimado. Esperamos, após ampla análise e interpretação do tema, proporcionar um novo olhar sobre o nascimento da geografia científica e sobre o rotulado “determinismo geográfico”, olhar este menos pautado em embates de alter-egos acadêmicos, falsas dicotomias e “desfiles de escolas de pensamento”, e mais alicerçado sobre as nuances envolvidas nos reais dilemas e problemas suscitados pela questão das influências ambientais. Cabe esclarecer que nossa pesquisa centra-se em três autores injustamente rotulados de deterministas: Ratzel, Semple e Huntington. Ratzel será estudado com menor detalhamento, devido ao nosso foco recair sobre a geografia anglófona, e pela impossibilidade de leitura dos originais em alemão. Huntington será mais enfocado em detrimento de Semple, cuja obra foi menos relevante para a geografia estadunidense e de menor alcance teórico-epistemológico. Houve também uma seleção de autores “possibilistas”, cujas críticas são importantes para nossa pesquisa, e que foram também taxados de deterministas pelo antropólogo Franz Boas. Em nosso resgate dos discursos deterministas, partimos da tradição clássica grega, até chegarmos aos discursos produzidos no ocaso da Geografia Tradicional e na transição para a Geografia Crítica, de modo a compreender a evolução desses discursos. Até o presente estágio da pesquisa, foi possível verificar que as ideologias que impulsionaram os autores “deterministas”, segundo alguns intérpretes de suas obras, foram o duo imperialismo/colonialismo e o duo racismo/ etnocentrismo(eurocentrismo). Por sua vez, as teorias científicas que influenciaram os autores rotulados de deterministas foram o mecanicismo, Darwinismo (evolucionismo), Lamarckismo e neo-lamarckismo, ao passo que os sistemas filosóficos que lhes serviram de suporte foram o iluminismo e o positivismo de Comte. Há controvérsias sobre quais desses elementos mais impingiu suas marcas nos autores deterministas, mas já há fortes evidências de que o neolamarckismo foi mais influente do que o darwinismo e que foi uma espécie de “mãe científica” da geografia anglófona da virada do século XIX e XX. É preciso esclarecer que nossa pesquisa não pretende reavivar a tese de que os fatores ambientais-climáticos formam a principal influência sobre o desenvolvimento da humanidade. Alternativamente, pretendemos mostrar, trazendo as discussões feitas pelos principais expoentes da geografia, que as influências ambientais-climáticas sobre o ser humano em particular, sobre o conjunto da sociedade, e inclusive sobre a origem, distribuição e desenvolvimento das civilizações são relevantes, merecem mais atenção, e sempre fizeram parte do temário geográfico. Além disso, as influências do ambiente e do clima sobre as atividades humanas têm se constituído em preocupação constante desde as primeiras tentativas humanas em sua jornada pela busca do conhecimento.
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