Este trabalho visa apresentar os resultados obtidos com o projeto “Geografia em Escala Local Um Estudo de Caso do Município de Califórnia”, desenvolvido no PDE (Programa de Desenvolvimento Educacional) do Estado do Paraná - Brasil. No espaço da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foram desenvolvidas diversas atividades, que implicou na interação entre a teoria e a prática, o que originou em experiências, antes almejada pelos educadores. Assim, os professores tiveram a oportunidade de se reaproximarem das dependências da universidade, o que os levou a repensar sobre a valorização da educação, haja vista que, antes, na condição de alunos, necessitavam da ciência, assim, o aluno e o educador reclamam pelo aprendizado, porque uma vez educador, não se deixa de ser aprendiz, pois o conhecimento se renova e se transforma há seu tempo. A elaboração de um Material Didático foi o foco central, no qual foi implementado e aplicado na 6ª e 7ª série do Ensino Fundamental do Colégio Estadual Talita Bresolin do Município de Califórnia. O material didático ora apresentado tem a finalidade de compreender a Geografia em escala local, no caso o município de Califórnia, por meio da análise dos seus diferentes arranjos territoriais. A partir do mesmo, possibilita o estabelecimento de articulações dessa escala com aquelas em nível regional e global abordadas nos livros didáticos de Geografia e em outros materiais. Através de problematizações, vem instruir o aluno a entender os arranjos territoriais vivenciados por ele e tem como proposta, apresentar o conteúdo no plano da singularidade, para que o professor possa, a partir de então, dialogar com a generalidade, ensinando o aluno a pensar geograficamente, o que supõe o desenvolvimento da consciência espacial e do raciocínio geográfico. Este inventário apresenta textos, mapas temáticos, imagens, gráficos, tabelas, desenhos, cartazes de síntese, fotografias, trabalhos artísticos (dança, teatro...), maquetes, entre outros materiais contendo informações sobre o Município de Califórnia. O formato em que o referido material foi elaborado vem facilitar a compreensão do espaço-temporalidade vivenciada pelos alunos em múltiplas escalas numa perspectiva científica de maneira que o mesmo sinta-se parte integrante desse espaço, estimulando o interesse pela disciplina de Geografia. O resultado foi um amplo empenho, tanto por parte dos professores que foram estimulados há dedicar mais tempo em pesquisas de forma a aumentar sua autonomia e domínio dos assuntos particulares que, muitas vezes, passavam despercebidos. O uso de recursos tecnológicos nas aulas práticas e a teoria que os professores na UEL utilizaram em suas aulas, somadas às experiências adquiridas, foram fundamentais para a formação dos professores participantes do PDE. Quanto aos educandos as atividades com uso de maquetes, mapas temáticos e imagens dos locais estudados, foram recursos primorosos e instrumentos de motivação nas aulas de Geografia. Na construção de maquetes, por exemplo, o estudante passou a valorizar muito mais as aulas de Geografia ao visualizar seu espaço de vivência na forma tridimensional. Assim, a percepção das diferentes altitudes e dos locais para onde a cidade cresceu e a forma de ocupação do espaço e sistema viário, passou a ter sentido no conhecimento geográfico dos estudantes. O trabalho no plano da singularidade permitiu o diálogo com o plano da generalidade, despertando o interesse e a capacidade criadora dos alunos que nos momentos de construção e processo de conhecimento demonstraram contentamento e foram capazes de sugerir e propor outros trabalhos semelhantes aos realizados, de forma que os mesmos apresentaram um largo desenvolvimento da consciência espacial e do entendimento geográfico
lunes 4 de mayo de 2009
3114 - REFLEXÕES SOBRE OS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM NO PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL (PDE)
versión pdf (0,97 mb)
Este trabalho visa apresentar os resultados obtidos com o projeto “Geografia em Escala Local Um Estudo de Caso do Município de Califórnia”, desenvolvido no PDE (Programa de Desenvolvimento Educacional) do Estado do Paraná - Brasil. No espaço da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foram desenvolvidas diversas atividades, que implicou na interação entre a teoria e a prática, o que originou em experiências, antes almejada pelos educadores. Assim, os professores tiveram a oportunidade de se reaproximarem das dependências da universidade, o que os levou a repensar sobre a valorização da educação, haja vista que, antes, na condição de alunos, necessitavam da ciência, assim, o aluno e o educador reclamam pelo aprendizado, porque uma vez educador, não se deixa de ser aprendiz, pois o conhecimento se renova e se transforma há seu tempo. A elaboração de um Material Didático foi o foco central, no qual foi implementado e aplicado na 6ª e 7ª série do Ensino Fundamental do Colégio Estadual Talita Bresolin do Município de Califórnia. O material didático ora apresentado tem a finalidade de compreender a Geografia em escala local, no caso o município de Califórnia, por meio da análise dos seus diferentes arranjos territoriais. A partir do mesmo, possibilita o estabelecimento de articulações dessa escala com aquelas em nível regional e global abordadas nos livros didáticos de Geografia e em outros materiais. Através de problematizações, vem instruir o aluno a entender os arranjos territoriais vivenciados por ele e tem como proposta, apresentar o conteúdo no plano da singularidade, para que o professor possa, a partir de então, dialogar com a generalidade, ensinando o aluno a pensar geograficamente, o que supõe o desenvolvimento da consciência espacial e do raciocínio geográfico. Este inventário apresenta textos, mapas temáticos, imagens, gráficos, tabelas, desenhos, cartazes de síntese, fotografias, trabalhos artísticos (dança, teatro...), maquetes, entre outros materiais contendo informações sobre o Município de Califórnia. O formato em que o referido material foi elaborado vem facilitar a compreensão do espaço-temporalidade vivenciada pelos alunos em múltiplas escalas numa perspectiva científica de maneira que o mesmo sinta-se parte integrante desse espaço, estimulando o interesse pela disciplina de Geografia. O resultado foi um amplo empenho, tanto por parte dos professores que foram estimulados há dedicar mais tempo em pesquisas de forma a aumentar sua autonomia e domínio dos assuntos particulares que, muitas vezes, passavam despercebidos. O uso de recursos tecnológicos nas aulas práticas e a teoria que os professores na UEL utilizaram em suas aulas, somadas às experiências adquiridas, foram fundamentais para a formação dos professores participantes do PDE. Quanto aos educandos as atividades com uso de maquetes, mapas temáticos e imagens dos locais estudados, foram recursos primorosos e instrumentos de motivação nas aulas de Geografia. Na construção de maquetes, por exemplo, o estudante passou a valorizar muito mais as aulas de Geografia ao visualizar seu espaço de vivência na forma tridimensional. Assim, a percepção das diferentes altitudes e dos locais para onde a cidade cresceu e a forma de ocupação do espaço e sistema viário, passou a ter sentido no conhecimento geográfico dos estudantes. O trabalho no plano da singularidade permitiu o diálogo com o plano da generalidade, despertando o interesse e a capacidade criadora dos alunos que nos momentos de construção e processo de conhecimento demonstraram contentamento e foram capazes de sugerir e propor outros trabalhos semelhantes aos realizados, de forma que os mesmos apresentaram um largo desenvolvimento da consciência espacial e do entendimento geográfico
Este trabalho visa apresentar os resultados obtidos com o projeto “Geografia em Escala Local Um Estudo de Caso do Município de Califórnia”, desenvolvido no PDE (Programa de Desenvolvimento Educacional) do Estado do Paraná - Brasil. No espaço da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foram desenvolvidas diversas atividades, que implicou na interação entre a teoria e a prática, o que originou em experiências, antes almejada pelos educadores. Assim, os professores tiveram a oportunidade de se reaproximarem das dependências da universidade, o que os levou a repensar sobre a valorização da educação, haja vista que, antes, na condição de alunos, necessitavam da ciência, assim, o aluno e o educador reclamam pelo aprendizado, porque uma vez educador, não se deixa de ser aprendiz, pois o conhecimento se renova e se transforma há seu tempo. A elaboração de um Material Didático foi o foco central, no qual foi implementado e aplicado na 6ª e 7ª série do Ensino Fundamental do Colégio Estadual Talita Bresolin do Município de Califórnia. O material didático ora apresentado tem a finalidade de compreender a Geografia em escala local, no caso o município de Califórnia, por meio da análise dos seus diferentes arranjos territoriais. A partir do mesmo, possibilita o estabelecimento de articulações dessa escala com aquelas em nível regional e global abordadas nos livros didáticos de Geografia e em outros materiais. Através de problematizações, vem instruir o aluno a entender os arranjos territoriais vivenciados por ele e tem como proposta, apresentar o conteúdo no plano da singularidade, para que o professor possa, a partir de então, dialogar com a generalidade, ensinando o aluno a pensar geograficamente, o que supõe o desenvolvimento da consciência espacial e do raciocínio geográfico. Este inventário apresenta textos, mapas temáticos, imagens, gráficos, tabelas, desenhos, cartazes de síntese, fotografias, trabalhos artísticos (dança, teatro...), maquetes, entre outros materiais contendo informações sobre o Município de Califórnia. O formato em que o referido material foi elaborado vem facilitar a compreensão do espaço-temporalidade vivenciada pelos alunos em múltiplas escalas numa perspectiva científica de maneira que o mesmo sinta-se parte integrante desse espaço, estimulando o interesse pela disciplina de Geografia. O resultado foi um amplo empenho, tanto por parte dos professores que foram estimulados há dedicar mais tempo em pesquisas de forma a aumentar sua autonomia e domínio dos assuntos particulares que, muitas vezes, passavam despercebidos. O uso de recursos tecnológicos nas aulas práticas e a teoria que os professores na UEL utilizaram em suas aulas, somadas às experiências adquiridas, foram fundamentais para a formação dos professores participantes do PDE. Quanto aos educandos as atividades com uso de maquetes, mapas temáticos e imagens dos locais estudados, foram recursos primorosos e instrumentos de motivação nas aulas de Geografia. Na construção de maquetes, por exemplo, o estudante passou a valorizar muito mais as aulas de Geografia ao visualizar seu espaço de vivência na forma tridimensional. Assim, a percepção das diferentes altitudes e dos locais para onde a cidade cresceu e a forma de ocupação do espaço e sistema viário, passou a ter sentido no conhecimento geográfico dos estudantes. O trabalho no plano da singularidade permitiu o diálogo com o plano da generalidade, despertando o interesse e a capacidade criadora dos alunos que nos momentos de construção e processo de conhecimento demonstraram contentamento e foram capazes de sugerir e propor outros trabalhos semelhantes aos realizados, de forma que os mesmos apresentaram um largo desenvolvimento da consciência espacial e do entendimento geográfico
miércoles 29 de abril de 2009
2178 - Fanzine na sala de aula de geografia
versión pdf (4,78 mb)
O fanzine na sala de aula de GeografiaEnsinar na escola contemporânea exige novas práticas que sejam capazes de estabelecer interlocuções com o fazer cotidiano de nossos estudantes A proposta deste trabalho implica mostrar como as questões de práticas pedagógicas e aprendizagens podem estabelecer relações mais próximas se estiverem pautadas no cotidiano dos estudantes. Assim, o que está sendo evidenciado é o uso do fanzine como papel articulador dessa relação. A importância desse recurso reside em promover situações de aprendizagens com reflexões não lineares através do uso de diversas linguagens e materiais para sua construção. Seu uso em sala de aula vem contribuindo não somente na forma simples e prática na melhoria da leitura e interpretação das temáticas abordadas, mas também como elemento potencializador da criatividade dos estudantes. O estudo foi ancorado na Geografia Cultural por entender que o significado não existe no mundo, são construções culturais que damos a ele. Como afirma Hall (1997) não é encontrado como algo vagando, o qual basta pegarmos para colocar sobre as coisas, sobre os objetos em si. Isso não quer dizer que ele não tenha existência material, mas é dizer que as coisas têm o seu significado não resultante de sua essência natural, mas de seu caráter discursivo. Compartilhando desse pensamento, buscamos entender o imaginário dos estudantes sobre alguns os conceitos estruturantes do espaço geográfico: paisagem, lugar, território, globalização a partir do Centro de Porto Alegre. A turma era de 21 alunos, com idade entre 9 a 12 anos, de classe social baixa, da 4 ª série do Ensino Fundamental, de uma escola estadual, de pequeno porte com poucos recursos pedagógicos. Os estudantes foram agrupados para facilitar a realização da atividade. Inicialmente foram realizadas leituras de livros didáticos, mapas, revistas, fotografias antigas, encartes turísticos e poesias antes de realizar uma trilha urbana sobre o local estudado. A escolha do Centro para ser tematizado é por percebemos como um local de toda e qualquer cidade distinto de outros locais pela sua vitalidade, onde ainda a maioria dos acontecimentos políticos, culturais e econômicos converge e sinais de sua história podem ser observados nos seus diferentes usos e funções. A partir do momento que estamos no Centro, todos os lugares nos parecem próximos, afinal os ônibus daqui partem e chegam a outros a todo instante de diversos bairros e de outras cidades. Nesta cartografia misturam-se os que caminham em busca de um emprego, aqueles que sem esperança dependem de outros. É o Centro que congrega essas múltiplas facetas, acentuando a diversidade existente na cidade, em que ao mesmo tempo é um lugar no quais as mudanças são velozes e constantes ao mesmo tempo há a preservação de pontos e referências histórico-culturais, permitindo dessa forma que se faça a construção e reconstrução da memória da cidade. Consideramos também o fato de que nossa Escola localiza-se no Centro, assim como a maioria dos estudantes reside neste bairro. Ao examinar os fanzines elaborados pelos estudantes constatou-se que as escolhas das imagens e frases foram buscadas em valores pautados nos seus cotidianos, evidenciando preocupações com questões sociais e ambientais. As contribuições trazidas pelo fanzine nas práticas pedagógicas da Geografia é a possibilidade de articular os seus conceitos da área com o imaginário dos estudantes, os significados que eles atribuem para o real. As imagens materializadas nos fanzines pelos estudantes seus entendimentos geográficos, tornando pertinente tal prática estabelecer “um diálogo com o mundo real, extra-escola” (KAERCHER, 2006, p. 73). Além de possibilitar aos professores desafios para desenvolver outros modos, outros jeitos de fazer a Geografia a partir da cooperação entre alunos/professor, alunos/alunos, assim como partilhar tomadas de decisões.
O fanzine na sala de aula de GeografiaEnsinar na escola contemporânea exige novas práticas que sejam capazes de estabelecer interlocuções com o fazer cotidiano de nossos estudantes A proposta deste trabalho implica mostrar como as questões de práticas pedagógicas e aprendizagens podem estabelecer relações mais próximas se estiverem pautadas no cotidiano dos estudantes. Assim, o que está sendo evidenciado é o uso do fanzine como papel articulador dessa relação. A importância desse recurso reside em promover situações de aprendizagens com reflexões não lineares através do uso de diversas linguagens e materiais para sua construção. Seu uso em sala de aula vem contribuindo não somente na forma simples e prática na melhoria da leitura e interpretação das temáticas abordadas, mas também como elemento potencializador da criatividade dos estudantes. O estudo foi ancorado na Geografia Cultural por entender que o significado não existe no mundo, são construções culturais que damos a ele. Como afirma Hall (1997) não é encontrado como algo vagando, o qual basta pegarmos para colocar sobre as coisas, sobre os objetos em si. Isso não quer dizer que ele não tenha existência material, mas é dizer que as coisas têm o seu significado não resultante de sua essência natural, mas de seu caráter discursivo. Compartilhando desse pensamento, buscamos entender o imaginário dos estudantes sobre alguns os conceitos estruturantes do espaço geográfico: paisagem, lugar, território, globalização a partir do Centro de Porto Alegre. A turma era de 21 alunos, com idade entre 9 a 12 anos, de classe social baixa, da 4 ª série do Ensino Fundamental, de uma escola estadual, de pequeno porte com poucos recursos pedagógicos. Os estudantes foram agrupados para facilitar a realização da atividade. Inicialmente foram realizadas leituras de livros didáticos, mapas, revistas, fotografias antigas, encartes turísticos e poesias antes de realizar uma trilha urbana sobre o local estudado. A escolha do Centro para ser tematizado é por percebemos como um local de toda e qualquer cidade distinto de outros locais pela sua vitalidade, onde ainda a maioria dos acontecimentos políticos, culturais e econômicos converge e sinais de sua história podem ser observados nos seus diferentes usos e funções. A partir do momento que estamos no Centro, todos os lugares nos parecem próximos, afinal os ônibus daqui partem e chegam a outros a todo instante de diversos bairros e de outras cidades. Nesta cartografia misturam-se os que caminham em busca de um emprego, aqueles que sem esperança dependem de outros. É o Centro que congrega essas múltiplas facetas, acentuando a diversidade existente na cidade, em que ao mesmo tempo é um lugar no quais as mudanças são velozes e constantes ao mesmo tempo há a preservação de pontos e referências histórico-culturais, permitindo dessa forma que se faça a construção e reconstrução da memória da cidade. Consideramos também o fato de que nossa Escola localiza-se no Centro, assim como a maioria dos estudantes reside neste bairro. Ao examinar os fanzines elaborados pelos estudantes constatou-se que as escolhas das imagens e frases foram buscadas em valores pautados nos seus cotidianos, evidenciando preocupações com questões sociais e ambientais. As contribuições trazidas pelo fanzine nas práticas pedagógicas da Geografia é a possibilidade de articular os seus conceitos da área com o imaginário dos estudantes, os significados que eles atribuem para o real. As imagens materializadas nos fanzines pelos estudantes seus entendimentos geográficos, tornando pertinente tal prática estabelecer “um diálogo com o mundo real, extra-escola” (KAERCHER, 2006, p. 73). Além de possibilitar aos professores desafios para desenvolver outros modos, outros jeitos de fazer a Geografia a partir da cooperação entre alunos/professor, alunos/alunos, assim como partilhar tomadas de decisões.
Etiquetas:
2178 - Fanzine na sala de aula de geografia
2086 - A influência dos fatores ambientais sobre a humanidade e a relevância do fator climático: uma revisão historicista-contextual dos supostos ...
versión pdf (8,04 mb)
Existe um preconceito arraigado entre geógrafos e cientistas sociais a respeito do que veio a ser denominado “determinismo geográfico/ambiental. Assim, esses termos têm servido de rótulo para obras e autores de inestimável valor e reconhecida cientificidade e complexidade. Criou-se um tabu em torno da investigação da influência exercida pelo ambiente físico/natural sobre a cultura, a humanidade e o desenvolvimento das nações, como se ao atentar para essas inexoráveis influências, o geógrafo estivesse automaticamente negando o papel exercido pelos demais fatores que não os ambientais. Somado ao preconceito e o tabu que o envolve, há bastante imprecisão, subjetivismo e falta de critério na definição e uso do termo determinismo Geográfico. Ainda não foi encontrada uma definição clara e bastante unânime para o termo, constatação que reforça nossa hipótese de que determinismo ambiental/geográfico é um termo sem sentido, vazio, usado desmedidamente, e que pouco se sabe realmente sobre os chamados “geógrafos deterministas”, e que na verdade, há autores que abusaram do alcance dos fatores ambientais sobre a humanidade (enveredando para uma espécie de misticismo ambiental), e que isso não invalida as contribuições da época que são aceitas até hoje ou que são ainda alvo de dúvidas e debates no seio da comunidade científica. Essa visão estereotipada e distorcida do que veio a ser denominado determinismo geográfico, na verdade faz parte de um preconceito mais amplo, fruto de uma má concepção e subavaliação do que se convencionou chamar de Geografia Tradicional. O termo tradicional evoca certos preconceitos em relação a esse período riquíssimo e fundamental da Geografia, fundamental no próprio sentido de ter estabelecido ou aprimorado as bases filosóficas, conceituais e teórico-metodológicas da Geografia, além de ter sido um período no qual todas as grandes questões foram levantadas e discutidas, do que se infere que quase nada do que se discute atualmente é de fato inovador. Diante dessas constatações, o objetivo geral de nossa tese de doutorado é fazer uma releitura dos discursos sobre as influências diretas e indiretas das condições naturais (fatores geográficos ou ambientais) sobre a humanidade, com ênfase no clima, tendo por fio condutor o (falso) paradigma do determinismo geográfico/ambiental, as críticas a ele direcionadas e as ideologias nele imbricadas. Pretendemos demonstrar a importância e a necessidade históricas do determinismo ambiental e a impossibilidade de se negar a questão das influências ambientais como hipótese básica da Geografia. Quando necessário, tanto quanto possível, os discursos deterministas serão analisados em termos de seu contexto de elaboração, disseminação e assimilação, ao passo que as ideologias neles subjacentes serão iluminadas. Essa reinterpretação da gênese e desenvolvimento de um paradigma tão controverso exigirá, por conseguinte, um resgate histórico e uma revisão teórico-crítica na literatura geográfica e em outras ciências, dos discursos acerca do papel exercido pelo ambiente físico nos aspectos humanos, ou, em outras palavras, dos fatores ambientais sobre a humanidade. Por meio de análise de discurso, o que implica numa postura crítico-filosófica da linguagem usada pelos autores estudados, pretende-se tanto realizar uma crítica da crítica ao determinismo ambiental, separando as críticas infundadas e pouco pertinentes, daquelas que enfocaram as reais fraquezas dos discursos deterministas sem ignorar seus méritos, quanto identificar ou não a existência de ideologias subjacentes e que dão suporte a esses discursos discutindo-os à luz do contexto político e histórico-filosófico vigente quando da sua elaboração. Assim, nossa tese está centrada em torno das idéias “deterministas” e anti-deterministas, concebendo-as como discurso no sentido pós-estruturalista do termo e enquanto tal será analisado como uma série específica de representações, práticas e performances por meio das quais o significado é produzido, conectado em redes e legitimado. Esperamos, após ampla análise e interpretação do tema, proporcionar um novo olhar sobre o nascimento da geografia científica e sobre o rotulado “determinismo geográfico”, olhar este menos pautado em embates de alter-egos acadêmicos, falsas dicotomias e “desfiles de escolas de pensamento”, e mais alicerçado sobre as nuances envolvidas nos reais dilemas e problemas suscitados pela questão das influências ambientais. Cabe esclarecer que nossa pesquisa centra-se em três autores injustamente rotulados de deterministas: Ratzel, Semple e Huntington. Ratzel será estudado com menor detalhamento, devido ao nosso foco recair sobre a geografia anglófona, e pela impossibilidade de leitura dos originais em alemão. Huntington será mais enfocado em detrimento de Semple, cuja obra foi menos relevante para a geografia estadunidense e de menor alcance teórico-epistemológico. Houve também uma seleção de autores “possibilistas”, cujas críticas são importantes para nossa pesquisa, e que foram também taxados de deterministas pelo antropólogo Franz Boas. Em nosso resgate dos discursos deterministas, partimos da tradição clássica grega, até chegarmos aos discursos produzidos no ocaso da Geografia Tradicional e na transição para a Geografia Crítica, de modo a compreender a evolução desses discursos. Até o presente estágio da pesquisa, foi possível verificar que as ideologias que impulsionaram os autores “deterministas”, segundo alguns intérpretes de suas obras, foram o duo imperialismo/colonialismo e o duo racismo/ etnocentrismo(eurocentrismo). Por sua vez, as teorias científicas que influenciaram os autores rotulados de deterministas foram o mecanicismo, Darwinismo (evolucionismo), Lamarckismo e neo-lamarckismo, ao passo que os sistemas filosóficos que lhes serviram de suporte foram o iluminismo e o positivismo de Comte. Há controvérsias sobre quais desses elementos mais impingiu suas marcas nos autores deterministas, mas já há fortes evidências de que o neolamarckismo foi mais influente do que o darwinismo e que foi uma espécie de “mãe científica” da geografia anglófona da virada do século XIX e XX. É preciso esclarecer que nossa pesquisa não pretende reavivar a tese de que os fatores ambientais-climáticos formam a principal influência sobre o desenvolvimento da humanidade. Alternativamente, pretendemos mostrar, trazendo as discussões feitas pelos principais expoentes da geografia, que as influências ambientais-climáticas sobre o ser humano em particular, sobre o conjunto da sociedade, e inclusive sobre a origem, distribuição e desenvolvimento das civilizações são relevantes, merecem mais atenção, e sempre fizeram parte do temário geográfico. Além disso, as influências do ambiente e do clima sobre as atividades humanas têm se constituído em preocupação constante desde as primeiras tentativas humanas em sua jornada pela busca do conhecimento.
Existe um preconceito arraigado entre geógrafos e cientistas sociais a respeito do que veio a ser denominado “determinismo geográfico/ambiental. Assim, esses termos têm servido de rótulo para obras e autores de inestimável valor e reconhecida cientificidade e complexidade. Criou-se um tabu em torno da investigação da influência exercida pelo ambiente físico/natural sobre a cultura, a humanidade e o desenvolvimento das nações, como se ao atentar para essas inexoráveis influências, o geógrafo estivesse automaticamente negando o papel exercido pelos demais fatores que não os ambientais. Somado ao preconceito e o tabu que o envolve, há bastante imprecisão, subjetivismo e falta de critério na definição e uso do termo determinismo Geográfico. Ainda não foi encontrada uma definição clara e bastante unânime para o termo, constatação que reforça nossa hipótese de que determinismo ambiental/geográfico é um termo sem sentido, vazio, usado desmedidamente, e que pouco se sabe realmente sobre os chamados “geógrafos deterministas”, e que na verdade, há autores que abusaram do alcance dos fatores ambientais sobre a humanidade (enveredando para uma espécie de misticismo ambiental), e que isso não invalida as contribuições da época que são aceitas até hoje ou que são ainda alvo de dúvidas e debates no seio da comunidade científica. Essa visão estereotipada e distorcida do que veio a ser denominado determinismo geográfico, na verdade faz parte de um preconceito mais amplo, fruto de uma má concepção e subavaliação do que se convencionou chamar de Geografia Tradicional. O termo tradicional evoca certos preconceitos em relação a esse período riquíssimo e fundamental da Geografia, fundamental no próprio sentido de ter estabelecido ou aprimorado as bases filosóficas, conceituais e teórico-metodológicas da Geografia, além de ter sido um período no qual todas as grandes questões foram levantadas e discutidas, do que se infere que quase nada do que se discute atualmente é de fato inovador. Diante dessas constatações, o objetivo geral de nossa tese de doutorado é fazer uma releitura dos discursos sobre as influências diretas e indiretas das condições naturais (fatores geográficos ou ambientais) sobre a humanidade, com ênfase no clima, tendo por fio condutor o (falso) paradigma do determinismo geográfico/ambiental, as críticas a ele direcionadas e as ideologias nele imbricadas. Pretendemos demonstrar a importância e a necessidade históricas do determinismo ambiental e a impossibilidade de se negar a questão das influências ambientais como hipótese básica da Geografia. Quando necessário, tanto quanto possível, os discursos deterministas serão analisados em termos de seu contexto de elaboração, disseminação e assimilação, ao passo que as ideologias neles subjacentes serão iluminadas. Essa reinterpretação da gênese e desenvolvimento de um paradigma tão controverso exigirá, por conseguinte, um resgate histórico e uma revisão teórico-crítica na literatura geográfica e em outras ciências, dos discursos acerca do papel exercido pelo ambiente físico nos aspectos humanos, ou, em outras palavras, dos fatores ambientais sobre a humanidade. Por meio de análise de discurso, o que implica numa postura crítico-filosófica da linguagem usada pelos autores estudados, pretende-se tanto realizar uma crítica da crítica ao determinismo ambiental, separando as críticas infundadas e pouco pertinentes, daquelas que enfocaram as reais fraquezas dos discursos deterministas sem ignorar seus méritos, quanto identificar ou não a existência de ideologias subjacentes e que dão suporte a esses discursos discutindo-os à luz do contexto político e histórico-filosófico vigente quando da sua elaboração. Assim, nossa tese está centrada em torno das idéias “deterministas” e anti-deterministas, concebendo-as como discurso no sentido pós-estruturalista do termo e enquanto tal será analisado como uma série específica de representações, práticas e performances por meio das quais o significado é produzido, conectado em redes e legitimado. Esperamos, após ampla análise e interpretação do tema, proporcionar um novo olhar sobre o nascimento da geografia científica e sobre o rotulado “determinismo geográfico”, olhar este menos pautado em embates de alter-egos acadêmicos, falsas dicotomias e “desfiles de escolas de pensamento”, e mais alicerçado sobre as nuances envolvidas nos reais dilemas e problemas suscitados pela questão das influências ambientais. Cabe esclarecer que nossa pesquisa centra-se em três autores injustamente rotulados de deterministas: Ratzel, Semple e Huntington. Ratzel será estudado com menor detalhamento, devido ao nosso foco recair sobre a geografia anglófona, e pela impossibilidade de leitura dos originais em alemão. Huntington será mais enfocado em detrimento de Semple, cuja obra foi menos relevante para a geografia estadunidense e de menor alcance teórico-epistemológico. Houve também uma seleção de autores “possibilistas”, cujas críticas são importantes para nossa pesquisa, e que foram também taxados de deterministas pelo antropólogo Franz Boas. Em nosso resgate dos discursos deterministas, partimos da tradição clássica grega, até chegarmos aos discursos produzidos no ocaso da Geografia Tradicional e na transição para a Geografia Crítica, de modo a compreender a evolução desses discursos. Até o presente estágio da pesquisa, foi possível verificar que as ideologias que impulsionaram os autores “deterministas”, segundo alguns intérpretes de suas obras, foram o duo imperialismo/colonialismo e o duo racismo/ etnocentrismo(eurocentrismo). Por sua vez, as teorias científicas que influenciaram os autores rotulados de deterministas foram o mecanicismo, Darwinismo (evolucionismo), Lamarckismo e neo-lamarckismo, ao passo que os sistemas filosóficos que lhes serviram de suporte foram o iluminismo e o positivismo de Comte. Há controvérsias sobre quais desses elementos mais impingiu suas marcas nos autores deterministas, mas já há fortes evidências de que o neolamarckismo foi mais influente do que o darwinismo e que foi uma espécie de “mãe científica” da geografia anglófona da virada do século XIX e XX. É preciso esclarecer que nossa pesquisa não pretende reavivar a tese de que os fatores ambientais-climáticos formam a principal influência sobre o desenvolvimento da humanidade. Alternativamente, pretendemos mostrar, trazendo as discussões feitas pelos principais expoentes da geografia, que as influências ambientais-climáticas sobre o ser humano em particular, sobre o conjunto da sociedade, e inclusive sobre a origem, distribuição e desenvolvimento das civilizações são relevantes, merecem mais atenção, e sempre fizeram parte do temário geográfico. Além disso, as influências do ambiente e do clima sobre as atividades humanas têm se constituído em preocupação constante desde as primeiras tentativas humanas em sua jornada pela busca do conhecimento.
